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nov
Bust Magazine entrevista Hayley Williams

Bust Magazine entrevista Hayley Williams

A Bust Magazine além de entrevistar a Hayley, fala sobre o estilo de vida da mesma, feminismo, carreira, discografia do Paramore, a saída dos irmãos Farro, privacidade, entre outros variados temas. Confira:

Por algumas vezes, Hayley Williams, a vocalista da banda de pop-punk Paramore, parece uma garota normal de quase 25 anos. Ela é durona, faz compras em brechós e ama experimentar novas cores de cabelo. De fato, apesar da multidão se seguidores no Twitter (aproximadamente 3,5 milhões), os inúmeros websites voltados para a sua opinião e vestimentas, e a análise obsessiva demais da mídia sobre suas idas e vindas, Hayley é chocantemente normal.  Tão normal que, enquanto falamos com ela, você esquece que seus planos para quinta-feira à noite, envolve assistir House Hunters, e os dela consistem em tocar em um show com ingressos esgotados no Wembley Arena, em Londres. (Até o momento, o single do Paramore, “Still Into You”, estava em #1 nas paradas de rock do U.K.) O fato é que ela é demais.  Todos os quatro álbuns de sua banda (All We Know Is Falling, Riot!, Brand New Eyes e Paramore) foram disco de ouro ou platina , e ela sempre foi a primeira personagem feminina do jogo mais popular, o Guitar Hero.

Quando se apresenta, Hayley é como um foguete, voando pelo palco usando seu tênis Converse enquanto sacode seu cabelo laranja. Ela é uma pessoa tão corajosa quanto a sua linda voz, a qual ela emprega perfeitamente em sua banda com hinos atemporais, um toque de hardrock e também baladas. Em uma veia muito similar a No Doubt e Avril Lavigne, o Paramore toca o que você pode imaginar de “happy punk”, e como resultado, a banda foi criticada pela imprensa por não serem nada além de uma banda fofinha. E desde que as críticas são tipicamente ásperas sobre qualquer banda que tenha como fãs as meninas adolescentes, tem muita gente esnobando diretamente o Paramore. Mas mesmo se você não for fã do som deles, Hayley Williams merece sua atenção porque diferente de qualquer outro ídolo pop na sua memória recente, ela está liderando jovens seguidores do feminismo. Ela falou sobre o sexismo e misoginia na indústria da música; apoio à fundação Love146, uma organização de caridade que luta contra o tráfico de sexo; e instruiu os seus seguidores a ler o livro Girl To The Front, que conta a história de Sara Marcus, uma garota revoltada.

Hayley começou a perseguir seus sonhos musicais em 2002, quando ela se mudou da sua cidade natal, Mississippi, para Franklin, TN, e começou a ter aulas vocais perto de Nashville. Ela foi contratada pela Atlantic Records em 2003, com 14 anos. Mas, ao invés de se tornar uma diva pop que seus produtores imaginavam, ela queria estar à frente de uma banda alternativa. Na mesma época, ela se tornou amiga de alguns garotos da igreja que estavam tocando juntos em uma banda de rock (embora não tocassem especificamente rock cristão). A gravadora concordou com a ideia da banda e em 2005, o primeiro álbum do Paramore foi lançado. Hayley tinha apenas 16 anos. Aquele álbum, All We Know Is Falling, foi bem recebido, porém, sem grande sucesso. Mas tudo mudou em 2007, quando foi seu próximo lançamento, Riot! – ele foi disco de platina e garantiu colocações para a banda nas paradas da Billboard.

Logo depois, em 2010, as coisas se tornaram dramáticas para o Paramore. Dois dos seus membros fundadores (um dos quais é o ex-namorado de Hayley) deixaram o grupo. Uma carta aberta que eles postaram no site oficial logo depois foi muito específica sobre as razões do rompimento: os membros afirmaram que saíram porque, em parte, as direções que o Paramore estava tomando iam contra suas crenças cristãs e, por outra parte, porque eles estavam cansados de “ficar na aba dos sonhos da Hayley”. Mas por mais que aqueles membros fundadores talvez não concordem, vamos ser sinceros – o Paramore deve agradecer muito à Hayley por suas habilidades. Para saber: quando eu pergunto a uma amiga se ela conhece a banda, ela responde imediatamente: “É aquela que a vocalista é uma garota incrível?”. A saída dos dois membros certamente não acabou com o grupo; na verdade, o seu primeiro álbum desde que eles saíram, o auto-intitulado de 2013, foi recebido com boas críticas pelo mundo inteiro, ganhando resenhas brilhantes desde a Entertainment Weekly até o The New York Times.

O rompimento da banda não foi a única indignação que Hayley sofreu perante aos olhos públicos. Mais tarde no mesmo ano, uma foto dela nua vazou na internet e todos os garotos e garotas estavam comentando sobre o tamanho de seus seios. Mas Hayley passou pela tempestade com serenidade, brincando sobre o incidente na imprensa e voltando com sua moral intacta.

Ela pode ser a vocalista de uma das bandas de rock mais bem sucedidas por aí, mas Williams ainda se comunica abertamente com seus fãs pela internet; ela está mais do que disposta a deixar eles atrás da cortina de seu estralado. Postando uma foto sobre a publicação que saiu de uma revista ridicularizando sua roupa, ela brinca: “Receber um ‘não’ é como ganhar um Grand Supreme para mim. Obrigada por reconhecerem toda a minha indiferença por todas as suas expectativas sobre mim.” A foto recebeu mais de 55 mil likes de seus seguidores. Isso também é um aspecto importante da posição cultural de Hayley em relação à cultura pop: os seus fãs não apenas a segue, eles a idolatram. Em incontáveis pots em websites em homenagem à vocalista, eles a chamam de forte e dinâmica, heroína, deusa, sua maior inspiração e, com certeza, seu principal modelo.

Com tanta atenção direcionada à Hayley Williams, nós nos sentimos honrados e surpresos por ela estar prestando atenção na BUST, nos mandando vários tweets nos últimos meses. E quando ela aceitou estar em nossa capa, ela estava muito animada para falar sobre o feminismo e a revista que ela especificamente pediu para ser entrevistada. Nossa conversa completamente engraçada e sem pretextos, revelou que Hayley é apenas uma mulher divertida a qual não é capaz de fingir ser alguém que não é. Embora ela tenha, segundo sua conta no Twitter, “talvez 10 minutos de sono” uma noite antes da entrevista, Williams foi completamente charmosa. Essa estrela do rock é completamente real.

B: “Quando ouvimos que você gostava da BUST, todos nós estávamos pensando ‘como ela nos conhece?’”
H:
 “Primeiro de tudo, eu tenho os mesmos pensamentos, oh meu Deus. Eu não sei como vocês sabem quem eu sou, e eu estou muito animada. Na verdade, minha avó assinou a revista como presente de natal no ano passado – nós a vimos no Whole Foods, e então tinham todas as dicas e sugestões de DIY, e isso é exatamente o que eu gosto. Eu não posso dizer o quão animada e honrada eu estou por estar na capa. Vou ficar louca quando vê-la. Eu vou urinar nas minhas calças de látex.”

B: “Quando você era criança, o que você imaginava ser quando crescesse?”
H:
 “Cara, eu sempre quis estar em uma banda. Quando eu estava no primeiro ou segundo colegial, eu saia por aí e recrutava pessoas para essa ‘banda’ que eu aparentemente estava. Eu acho que a camaradagem da coisa toda realmente apareceu interessante pra mim; eu gostei da ideia de você estar em uma pequena gangue de amigos, viajar pelo mundo todo e tocar suas músicas. Isso não era interessante até eu completar meus 9 ou 10 anos, quando eu realmente comecei a gostar de cantar e então, quando fiquei um pouco mais velha, as pessoas começaram a me falar que eu tinha uma voz boa. Eu também queria muito sair da minha cidade natal, e a música sempre pareceu uma forma perfeita de… não escapar, mas apenas me divertir, sabe? Viver uma vida inteiramente surpreendente.”

B: “Você se considera feminista?”
H:
 “Sim, eu me considero! Eu não sou uma pessoa super política, mas pra mim [feminismo é] uma coisa muito social – eu olho para garotas jovens e eu sou como ‘Eu quero te dar algum poder. Eu quero que você se sinta como eu me sinto nos meus dias mais fortes, a todo momento.’ Mas sim, eu me identifico absolutamente com o feminismo e eu estou realmente muito orgulhosa que eu estou surgindo de uma geração que está tomando seus rumos. Eu, certamente, não era tão esperta ou impulsionada, nem aberta para educação como várias garotas mais novas que eu, vejo agora; por exemplo, a revista Rookie e as garotas por trás disso como, por exemplo, Tavi Gevinson. Eu penso como é ter a idade dela, e o quão ingênua eu era para todas as coisas que ela sabe e tudo que faz a diferença nisso. Mas é tão legal ser uma garota e é incrível poder dar esse poder a algumas delas.”

B: “Enquanto existem várias mulheres mais jovens que se identificam orgulhosamente como feministas, outras várias que estão no destaque da mídia se envergonham ao se rotularem assim. Você acha importante ser chamada de feminista?”
H:
 “Eu acho que é importante sim. Eu acho que nós ainda estamos falando sobre o esquecimento do controle de natalidade e outros milhões de tópicos que são da idade das pedras… é importante para as mulheres se unirem, se sentirem fortes e orgulhosas, e trabalharem duro para serem ouvidas. Mas eu diria que pra mim, pessoalmente, quando alguém me pergunta: ‘Você é uma feminista?’, então eu vou dizer que sim. E você sabe por quê? Porque eu sou uma garota – e por que eu não seria?”

B: “Eu joguei no Google um monte de coisas sobre você, e o nível de pessoas que te observam online, te analisando e falando sobre o seu relacionamento é insano. Já que existem tantas garotas novas te observando, tem alguma coisa que você faz para impressionar elas? Você se sente responsável por elas?”
H: 
“Eu sinto um pouco de responsabilidade porque eu sei que eu tenho esse microfone e eu posso dizer o que sinto. Eu quero que as pessoas sintam algo que as movam em nossa música. E eu quero, que especialmente as garotas jovens que vem aos nossos shows, se sintam como se estivessem no palco. Eu não posso me sentir responsável por cada pessoa – eu tenho mais o objetivo de apenas fazer um impacto positivo num todo, embora eu saiba que isso é clichê. Acho que apenas tenho que sair por aí e ser quem eu sou, e saber que os erros acontecem também, e estar preparada para pedir perdão se isso acontecer. Ou então estar preparada para não pedir perdão e dizer: ‘Você quer saber? Essa é a minha vida e é dessa forma que eu vou viver.’”

B: “Você teve experiência como violação de privacidade, como quando aquela foto sua nua vazou e o que aconteceu durante a ruptura da banda. Você já pensou em deixar toda essa confusão de lado e fazer alguma outra coisa?”
H:
 “Alguma vez você já leu meu livejournal? Quando tudo isso estava acontecendo, como nós gostamos de chamar, a foto do peitinho, ou então a separação da banda ou perda de amigos, eu me imaginei tendo uma pequena cafeteria na cidade de Franklin, TN, e então trabalhar lá todos os dias. Eu lavaria a louça e serviria as pessoas, elas saberiam que eu era do Paramore e que isso foi um momento incrível na minha vida, mas ninguém iria dar a mínima para o que eu estaria fazendo – eles iam apenas querer comer e tomar café.”

B: “E você teria um cachorro, certo?”
H
: “Meu Deus, sim! Eu teria um Gold-endoodle. Ainda não sei qual seria o nome dele – ainda não pensei tão longe. Mas eu fantasio uma vida normal. É estranho porque eu passo tanto tempo da minha vida fantasiando sobre a vida que eu estou vivendo agora. Mas sim, eu escapo absolutamente para essa parte da minha mente quando as coisas estão sobrecarregadas ou muito tristes. Não é a vida mais fácil, mas eu sou totalmente agradecida por isso. Se isso significa que as pessoas violam minha privacidade e que elas são muito curiosas, então quer saber? Quem liga? Eu venho fazendo o que eu sempre quis na minha vida toda.”

B: “Eu estava assistindo ao VMA deste ano, e chegou um momento que tinha umas 100 mulheres nuas engatinhando, literalmente, no chão. Como uma feminista, o que você acha do mundo da música pop hoje?”
H:
 “Eu venho lutando contra com o VMA – lutando com minhas opiniões e pensamentos sobre isso. Eu sei que isso é a percepção de milhões de pessoas que os produtores dizem para os artistas agirem de tal forma. Mas eu realmente gostaria de acreditar que a maioria dos artistas nos dias de hoje tem a última palavra. Então, se esses artistas estão escolhendo vestir essas coisas, então eu acho que eles têm mais poder. Mas o que é mais chato pra mim é ver o Justin Timberlake e Robin Thicke lançarem vídeos com basicamente apenas mulheres peladas – e isso passa do artístico, se trata de visualizações do Youtube. Eu estava lendo uma entrevista da Miley Cyrus falando sobre o clipe de “Wrecking Ball” e ela disse o quão animada ela estava para as pessoas verem aquilo, porque era muito artístico. E eu só me pergunto: ‘Quem está falando que vocês todos tem que tirar suas roupas e isso, de repente, é arte?’. O corpo feminino é a coisa mais bonita do mundo, eu posso ver como as pessoas dizem ‘Bem, isso é muito bonito e artístico.’ Sim, é. Mas no contexto correto. Mas falando nisso… as coisas estão tão confusas que agora nós só podemos fazer um vídeo que são duas mulheres se beijando de bunda de fora, e então vamos chamar isso de arte? Eu não quero vestir nada no palco. Essa apenas não sou eu. eu também acho que os garotos não vão fazer isso tão cedo, embora acho que isso sim seria maravilhoso.”

B: “Você ainda se identifica como uma Cristã, e se sim, como isso funciona para você estando no mundo pop?”
H:
 “Eu me identifico sim como uma Cristã; de qualquer forma, vou dizer que as minhas crenças mudaram um pouco desde que eu era criança e estava aprendendo sobre as histórias da bíblia e indo aos domingos para a escola. Eu percebi o quão mente-fechada minha educação era e o quão enraizada eu era na minha religião, era um relacionamento com Deus que eu digo que acredito. Tipo, não vou aparecer e bater em todos os meus amigos gays porque eu não acho que [homossexualidade] seja errado. Eu não sou esse tipo de Cristã. Mas eu nunca negaria a minha fé. É uma coisa que é só minha.”

B: “Depois da separação da banda, li uma carta que os irmãos Farro colocaram na internet. Nela, existem acusações que você forçou todos a serem apenas seus ‘ajudantes’. Mas isso soou, para mim, como um lixo sexista contra uma mulher no poder. É raro as pessoas acusarem uma líder por fazer isso.”
H:
 “Sim, exatamente! E isso é uma coisa que lutei contra por um longo tempo na banda. Quando eu tinha 16 anos, eu não usava nenhum brilho labial para os fotógrafos porque eu, literalmente, só queria ser um dos caras. Eu queria muito esconder isso. Aquela carta foi muito engraçada para mim, porque as pessoas não sabem quantas coisas deixei de fazer para não se tornar ‘o show da Hayley’. Eu recusei muitas capas de revistas, acordos com programas – coisa que para mim, significava discordar daquilo que na verdade, é minha prioridade e para o que meu coração pertence, o Paramore. Muitas gravadoras queriam que eu fosse uma cantora solo. Existiram outros rumos que eu poderia ter tomado, mas o que eu ia querer com isso? Eu amo estar em uma banda. Eu amo meus amigos. Eu cresci com esses caras.”

B: “Eu vi em um episódio seu do MTV Cribs, e vi sua coleção de bonecas da Lucille Ball. Qual é a graça delas para você?”
H:
 “Eu não podia ver muito TV quando era pequena, mas eu podia ver Nick At Nite. Eu ia para a cama muito cedo todas as noites depois de assistir I Love Lucy. Eu amo mulheres engraçadas. Existem várias garotas divertidas e pais bobalhões em seriados, mas Lucy fez isso de uma forma bem diferente. Eu queria muito ser ela – eu queria ser confusa e misteriosa daquela forma. Ela realmente tem tudo a ver com o motivo do meu cabelo ser vermelho.”

B: “Qual é a primeira coisa que você faz quando chega em casa depois de uma turnê?”
H:
 “Quando eu vou para casa, eu apenas quero assistir TV, cozinhar e pintar ou decorar alguma coisa pela casa. Essa é uma das coisas que me chamou atenção na BUST – aquelas dicas incríveis para decoração. Enquanto a gente estava morando em Los Angeles fazendo nosso [mais recente] disco, eu ia para a cara da minha amiga Kiera todas as semanas para a Quinta-Feira da Decoração. Isso era tão bom para gente, porque você podia esquecer tudo e então conversar com pessoas que normalmente você não conversa desde que se focou em alguma outra coisa. Eu nunca tive muitas amigas, mas foi uma época muito boa da minha vida; eu tenho que conhecer algumas meninas em L.A. e fazer decorações. Eu estou muito viciada nesse blog chamado A Beautiful Mess.”

B: “Oh meu Deus, eu amo aquele blog! As decorações são incríveis.”
H:
 “Cara, eu sei! Eu nunca vou estar ao nível da Martha Stewart. Eu tenho que superar isso. Isso faz parte da minha fantasia de uma vida normal. Na minha cabeça, existe um mundo onde eu sento numa mesa e fico fazendo objetos de decoração o dia todo.”

Tradução e adaptação por Emily (PaM)