28
jun
Entrevista da Rock Freaks com Paramore

Paramore Rock Freaks
A banda foi entrevistada pelo Rock Freaks antes de seu show na Dinamarca. Eles falaram sobre a saída de membros, a reação das diferentes audiências nos shows, tocar em grandes festivais, e etc.

Como as coisas estão rolando com a turnê e tudo mais?
Hayley: Está sendo incrível! Esta é a nossa primeira grande turnê de festivais com o novo álbum, então é legal ver como diferentes públicos estão aceitando o que estamos fazendo. É legal, porque não estamos tocando para os nossos fãs exceto quando fazemos um show como hoje. Fomos a atração principal de vários festivais, mas até na Alemanha e outros países onde não sabíamos como as músicas novas seriam aceitas, todo mundo gostou e isso faz a gente ficar mais aliviado.

E hoje? Está sendo um dia corrido ou vocês conseguiram passear por Copenhague?
Jeremy: Descansamos bastante. Conseguimos visitar várias cidades ontem quando estávamos aqui, andamos por aí e experimentamos comida incrível… E olhamos o seu lindo país, haha!

Essa é a primeira vez que vocês estão de volta desde a saída de membros em 2011, e eu gostaria de perguntar como vocês estão se sentindo na banda agora, em relação à turnê e o novo álbum que vocês lançaram como um trio?
Taylor: Pra falar a verdade, nós… Acho que estamos mais confiantes como nunca. Sabe, é muito difícil sair em turnê – É uma coisa incrível, mas é difícil, e acho que agora temos um sistema de apoio que nunca tivemos, e acho que estamos melhorando. Nós estamos nos tornando músicos e artistas melhores… Pelo menos, é o que achamos, haha!
Hayley: Sim, achamos que somos, haha!
Taylor: É, pelo menos nos sentimos assim, e temos muita sorte de termos músicos incríveis tocando conosco – bons amigos nossos também… Então tudo está correndo bem.

Considerando tudo isso, vocês sentem que perderam algum momento ou voltar foi algo grandioso?
Hayley: Ficamos com medo de perder alguns momentos e que seria muito estranho voltar, mas os nossos fãs nos deram muito apoio ao longo de todo o processo. Escrever esse álbum foi uma das experiências mais assustadoras, libertadores e incríveis para o Paramore. Então nós sabíamos como nos sentimos, mas não em relação ao álbum antes de ser lançado e ser testado. Quero dizer, nós podemos gostar de tudo que queremos, mas nós queremos que os nossos gostem também. Então demos algumas listening parties onde os nossos fãs mais fanáticos puderam ouvir as músicas antes de todo mundo… E ter tido a aprovação deles foi muito importante para nós. Era daquilo que nós precisávamos. Ficamos no topo da Billboard, mas tudo isso é apenas números, mas fizeram a gente ficar meio aliviado… Tipo, “legal, nós não estragamos tudo, tudo vai ficar bem…” Então, como eu disse, são apenas números quando não diz a respeito da música, mas nós nos divertimos muito fazendo esse álbum e nos sentimos gratos.

Então, do meu ponto de vista, o Paramore começou como uma banda de pop-punk e virou mais do que isso… E, pelo menos, esse ano eu sinto que houve uma tendência onde bandas como Fall Out Boys ou 30 Seconds to Mars, ou até vocês, exploraram mais com o pop e rock. Vocês tem alguma opinião sobre isso, ou quais foram as suas intenções quando estavam tentando achar um estilo para o novo álbum?
Taylor: Eu acho que não estávamos tentando nos encaixar num estilo específico. Acho que no início, nós estávamos tentando nos encaixar em nosso próprio [estilo]. No começo, parece que o álbum ia ser uma continuação do “Brand New Eyes”, o mesmo tipo de som, mas com músicas novas. Mas nós estamos orgulhosos de nossos três primeiros álbuns, e acho que nos saímos muito bem, mas sinto que tivemos que seguir em frente. Não acho que sabíamos o que seria, mas só começamos a compor o que a gente sentia. É surpreendente, porque nós íamos escrever uma música funky… Não era para a gente ter feito uma música como “Ain’t It Fun.”

Essa é a minha música favorita do álbum, na verdade!
Taylor: Obrigado! Haha! Parece que não fomos feito para fazer uma música daquelas, e estávamos com medo no início, mas descobrimos que a única coisa que podíamos fazer era fazer um álbum que nós gostamos, acreditamos e achamos que é bom. É claro que queremos que as pessoas se conectem com ele, mas não queríamos comprometer a nossa arte só para agradar as pessoas. Nós queríamos fazer uma coisa boa. Então eu acho que isso aconteceu.

É divertido assistir aos clipes do novo álbum, porque vocês têm o de “Now”, que tipo carrega uma mensagem e é sincero, e aí vocês têm o de “Still Into You”, que parece ter muita diversão… Foi confortante gravar um clipe que era poppy? Foi um pouco estranho ou o que vocês sentiram?
Hayley: Na verdade, não foi estranho. Ou eu acho que foi estranho quando colocamos a mão no script, nos perguntando, “Gostamos mesmo disso ou só estamos dizendo a nós mesmos que gostamos?” E então – principalmente porque o diretor Isaac é muito legal e dirigiu muitos clipes que gostamos – eu acho que confiamos que ele não ia nos orientar errado. Nós não queríamos fazer algo muito divertido, energético e diferente para a banda. E sinto que o importante é que é hora de mostrar às pessoas, tanto para nossa base de fãs quanto para as pessoas fora dela, quem nós somos, e os lados diferentes que existem dentro de nós. Nós acreditamos em mensagens fortes como a que você pode receber de “Now” e do clipe. – Ele é muito sincero comparado ao que acreditamos… Mas há um lado nosso onde só queremos sair e curtir o momento… E nós gostamos de cores, e gostamos também de coisas obscuras e coisas assim, e sinto que há espaço para isso nas bandas e na música. E eu acho que há espaço para as pessoas terem versatilidade e diferentes lados, e estávamos com um pouco de medo disso, mas acho que, nesse álbum, nós estamos meio que esmagando todos esses pensamentos. Todas as coisas que nunca poderíamos fazer… Sentimos que não é mais hora de ter dúvidas.

Bom, como eu disse, “Ain’t It Fun” e “Still Into You” são músicas boas, vocês têm o meu voto, pelo menos.
Hayley: Obrigada!

Tudo bem, seguindo com a entrevista, quando eu estava pensando nessas perguntas, eu cheguei a pensar em alguns anos quando eu estava assistindo o Thursday tocar no Groezrock, Geoff Rickley observa que só há uma artista feminina em toda a grade do festival… E eu pensei um pouco naquilo e então esqueci até ler uma reportagem sobre o festival Copenhell da semana passada, no qual em um repórter também estava apontando que não tinha nenhuma mulher tocando no festival. Então quando vocês estão num festival, as pessoas falam que vocês são a única banda que tem uma garota?
Jeremy: Isso acontece na maioria dos festivais…
Taylor: Sim, não em todos, mas isso é meio comum… O mais legal é que a Hayley é demais. Ela tem muita confiança e ela luta e ganha o respeito e atenção das pessoas. E se elas não gostam, então tudo bem. Acho que sempre foi legal a gente ter essa diferença e é algo que aprendemos a abraçar… E sempre parece que temos um respeito mútuo entre nós e as outras bandas, então acho que não nos preocupamos muito com isso, mas acredito que percebemos as pessoas falando… Principalmente no cenário do rock…

Bom, vocês foram mais além no assunto – porque nunca passou pela minha cabeça que você não se sentiriam confiantes em relação a isso – eu meio que perguntei o que vocês achavam do estado da cena. Se seria melhor ter bandas mais ecléticas do que só com homens.
Hayley: Garotas gostam de música, e, na verdade, elas foram uma parte da razão que muitos desses artistas ficaram famosos, só sendo fãs e gostando de música. E eu nem ligo se é porque eles têm uma quedinha ou algo assim… Eu sei disso através da minha experiência ao crescer, eu amava boy bands, rock dos anos 50 e 60, eu gostava de R&B – eu gostava de tudo isso, porque significava algo na minha alma… Algo bem dentro de mim. Meninos e meninas têm a capacidade de gostar das mesmas coisas. É claro que são diferentes, temos pensamentos diferentes, e acho que isso é parte do que faz o ser humano lindo.
Taylor: Eu acho que, em última análise, boa arte sobe ao topo…
Hayley: Sim, isso mesmo, mas por outro lado, nós tocamos no Soundwave Festival e a Shirley, do Garbage, veio até nós e tocou nesse assunto. Ela disse, “Somos as únicas garotas aqui!”, e eu respondi, “Sim, você tem razão. Que loucura!” … E ela estava encorajando a nossa banda e eu também, dizendo, “vocês estão fazendo a coisa certa, você estão se saindo bem!” … E foi muito simples para ela dizer isso e nos apoiar, mas significou muito, e para mim também, como mulher, ao ver essa vocalista poderosa nos aprovando. Foi legal!

Já fez alguma diferença quando vocês estavam fazendo música? Tipo, ter de comunicar emocional e musicalmente através da diferença entre os sexos?
Taylor: Não…
Hayley: É, nunca houve um problema. Nunca mesmo.
Taylor: Acho que tem mais a ver com a personalidade do que com o sexo. Três pessoas criando uma obra de arte, e há três diferenças dentre nós, mas eu acho que o sexo não tem a ver com isso.

Posso perguntar como vocês escrevem as músicas? Porque há bandas que entram no estúdio e apenas dois membros escreveram as músicas e os outros adicionam algumas ideias, mas como acontece com vocês?
Hayley: Acontecia desse jeito conosco, no passado. A maior parte de uma música já estaria pronta. Mas esse álbum foi uma loucura, porque eu teria ideias para letras ou melodias e nós todos estávamos morrendo de medo do que aconteceria quando começamos a escrever esse álbum… Foi uma situação bem angustiante… Então eu tive a coragem de falar pra mim mesma, “Eu tenho uma ideia… Não sei se é boa ou não…” e algumas músicas iam sair desse jeito. A melodia ou a letra ia sair primeiro. Outras coisas viram do Taylor mexendo com uns sons estranhos no teclado e foi assim que “Ain’t It Fun” ganhou vida. Jeremy ia ficar tipo, “Me deixe colocar um pouco de slap bass nisso!” E foi legal não ter uma fórmula pela primeira vez em toda a nossa carreira. Fazer esse álbum foi como fazer o nosso primeiro, porque não sabíamos o que estávamos fazendo. Só estávamos curtindo e fazendo as músicas, sabe?

Já que o nosso tempo está acabando, eu gostaria de saber quais planos vocês têm para o futuro do Paramore – o que vocês podem nos contar?
Jeremy: Só sair em turnê, turnê e turnê! Você só faz isso após lançar um álbum. Nós só sentimos que ficamos longe por muito tempo e estamos animados para voltar a todos esses lugares de novo e ver a vida.

Vocês têm grandes sonhos ainda não foram realizados?
Taylor: Claro! Acho que temos, mas acho que não estamos focados em nada.

Quero dizer, individualmente?
Taylor: Bom, nós sempre queremos ser pessoas melhores e conectar com mais pessoas, mas ganhar prêmios é legal, mas não é por isso que estamos fazendo isso aqui… Coisas como essas são uma honra para qualquer banda, mas eu acho que já conseguimos fazer coisas que costumávamos pensar, “isso seria muito legal!”

Fonte: HayleyBR