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Hayley fala sobre o novo álbum e a turnê de 2014 na Nova Zelândia

Hayley Coup De Main

Em entrevista para o Coup De Main, Hayley contou como foi escrever o novo álbum, falou sobre crescer e a mídia no meio musical. Confira:

Hayley está no ensaio da banda. Paramore está ensaiando para sua nova turnê do álbum “self-titled”, mas Hayley continua se distraindo. Era pra ela estar praticando suas partes, mas ao invés disso, ela continua cantando “Car Radio” do Twenty One Pilots de novo e de novo.

Faz sentido então que Twenty One Pilots será a banda de abertura do Paramore em sua turnê pela Nova Zelândia em janeiro de 2014.

Antes de sua turnê do álbum “self-titled” na Nova Zelândia, Hayley ligou para o Coup De Main para conversar sobre a importância da conexão com os fãs, a evolução do processo de escrita do Paramore e lições que ela aprendeu recentemente enquanto crescia.

COUP DE MAIN: Paramore está voltando para a Nova Zelândia em janeiro! Está ansiosa para voltar?
Hayley: Sim, mal podemos esperar! Desde a última vez que estivemos aí já estávamos esperando para remarcar mais datas, então estamos mais do que prontos para voltar e ver os fãs e as pessoas com as quais nos divertimos muito da última vez que estivemos aí. Você mora aí então você deve saber, mas é um lugar tão bom para passear, sinto como se estivesse de férias mais do que qualquer outra coisa.

COUP DE MAIN: Estão trazendo o Twenty One Pilots com vocês – obviamente, seus parceiros da gravadora Fueled By Ramen, mas vocês também são fãs deles?
Hayley: Sim, sou uma enorme fã. Acho que eles são uma das melhores “novas bandas” que existem no momento. É muito legal que eles estão vindo conosco para essa turnê. Para mim, se eu pudesse tê-los em todas as turnês que vamos fazer, eles realmente estariam em todas as nossas turnês. Acho que eles não tem apenas um talento incrível, mas também são caras muito legais então será ótimo para os fãs que virão para esses shows. Eles são muito dinâmicos e estou animada para que nossos fãs os vejam tocar.

COUP DE MAIN: É maravilhoso que vocês estejam fazendo tanto esforço para tocar em Christchurch. Não sei se você ouviu sobre todos os terremotos que aconteceram, mas sei que vai significar MUITO para seus fãs que vocês vão tocar lá.
Hayley: Sim, é realmente triste. Ouvi apenas através de fãs online, no twitter, mas estavamos definitivamente animados para voltar lá, tocar e se divertir. Música é, na minha opinião, a melhor maneira de… não esquecer, mas escapar por um momento. Será uma ótima noite.

COUP DE MAIN: Lembra alguma memória favorita da Nova Zelândia ou alguma piada?
Hayley: Nadamos no mar algumas vezes e comemos coisas muito boas. Peixe e batata! Faz muito tempo mas acho que o que nos marcou foi o quão amigáveis e legais as pessoas são conosco aí. Os fãs que estavam nos shows eram tão tranquilos de conversar, é uma ambiente ótimo para nós. Não sei agora, depois de de alguns anos e com um novo álbum – ainda não sei o que esperar dos shows – mas, como eu disse, sempre fomos tratados muito bem aí e nos sentimos muito bem-vindos e estamos pronto para reviver essa experiência.

COUP DE MAIN: O que os fãs devem esperar dessa turnê?
Hayley: Estamos descobrindo agora! É uma grande setlist e será o nosso maior show, em relação a produção e é algo que nunca fizemos, então é realmente empolgante. Posso dizer que o show terá no mínimo uma hora e meia de duração e tentaremos agradar a todos. Acho que tanto os fãs mais antigos como os novos ficarão satisfeitos. É incrível fazer parte dessa banda. Fizemos tantas turnês – inumeráveis – e mudamos as músicas, mudamos a ordem delas na setlist e é muito bom não ficar entediado depois de todos esses anos. Acho que encontramos um jeito de tocar as músicas de uma maneira diferente e de fazer a setlist que nos deixa muito orgulhosos e sei que será uma de nossas favoritas, posso te adiantar isso.

COUP DE MAIN: Você disse que a música “Part II” é uma sequência de Let The Flames Begin, quer dizer que vão colocar uma seguida da outra na setlist?
Hayley: Ainda não posso falar sobre a setlist, os outros iriam me matar! (risos)

COUP DE MAIN: O que você quer que as pessoas sintam quando forem a um show de vocês?
Hayley: Acho que, para nós, o mais importante de tocar e fazer turnês é se conectar com os fãs. No final do dia, não é só uma banda e seus fãs, somos todos seres humanos. Não quero que pareça que estou tentando ser muito emotiva sobre isso, mas quando tocamos, a música leva cada um para sua própria jornada – porque uma música pode ter um sentido para mim que pode ser completamente diferente para outra pessoa. E isso é o mais incrível de tocar ao vivo – olhar para a plateia e ver diferentes reações, é maluco. É insano que algumas dessas músicas, todas as músicas, em um momento eram apenas eu, Taylor e Jeremy apenas sentados, brincando com instrumentos ou com uma caneta e papel e de repente se torna uma grande produção. Mesmo com todos esses sons diferentes, as luzes e a grande produção, no final do dia estamos apenas tocando músicas – tocando e tentando ter uma ligação com as pessoas e dar a elas um lugar a qual elas sintam que pertencem. Tomara que quando entrarem em nossos shows, as pessoas se emocionem, se sintam conectadas e sintam que são importantes. Tudo isso para mim, é tudo que eu sempre quis que nossa música proporcionasse, desde criança e agora ser capaz de poder fazer música é realmente uma enorme benção.

COUP DE MAIN: Vocês já tiveram muitas turnês de sucesso e também estiveram no topo das paradas, mas o que para você é a última medida de sucesso?
Hayley: Sinceramente, para mim, acho que não sei mais o que podemos fazer que me deixaria mais feliz sobre fazer parte do Paramore. Tivemos bons marcos e nosso último álbum foi número um pela primeira vez e foi maravilhoso – que pareceu sucesso, mas não sei se é isso que sucesso significa para mim. Acho que meus valores são minha família e no final do dia, voltar para casa e saber que sou feliz sendo quem sou – e que isso não vem sem batalhar, mas para mim, sucesso é simplesmente chegar em casa e sentir que você se conectou com alguém.

COUP DE MAIN: Falando do novo álbum, meus parabéns! Realmente mostrou a diversidade musical do Paramore, e é claro, deve ser bom saber que ficou em primeiro lugar na Nova Zelândia.
Hayley: Sim! é incrível!!

COUP DE MAIN: Você deve estar animada com o fato de “Ain’t It Fun” ser o novo single! É uma ótima música.
Hayley: Sim, obrigada, estamos animadíssimos. “Ain’t It Fun” sempre foi uma das músicas principais de todas que estão no álbum. Sentimos algo muito especial desde o memento em que a escrevemos, então é meio louco pensar que está tocando nas rádios agora. Lembro quando estávamos gravando a demo e pensando o quão era maluco a ideia de reunir um coral para uma de nossas músicas e ficou um estilo muito mais próximo do “Funk” do que tudo que já fizemos. Espero que os fãs estejam curtindo. Parece que estão. Quando tocamos ao vivo, temos uma das melhores reações da noite, mesmo nossos fãs sendo completamente loucos durante o show inteiro. Estou pronta para tocar agora que várias pessoas estão ouvindo na rádio. Vai ficar ainda mais divertido.

COUP DE MAIN: Acha que escrever esse álbum foi muito diferente do que os outros?
Hayley: Sim! Fazer esse cd foi um pouco assustador, mas olhando para trás, era pra ser assim, sabe? Taylor e eu conversamos por muito tempo – todos nós, na verdade – sobre o que queríamos desse álbum. É engraçado, nós simplesmente fomos falando um monte de palavras aleatórias que achamos legais como: “Ah, queremos que o novo álbum seja… queremos que seja cheio de vida, queremos que soe assim… que tenha esse um tom meio “new wave”.” Na verdade, não sabíamos como chegar a isso, especialmente porque sabíamos que o que a gente queria era que esse cd soasse mais feliz, mas quando começamos a escrever, não estávamos num momento muito feliz. Levou muito tempo para que nós conseguíssemos esquecer o passado e nos permitir crescer, mudar, tentar coisas novas e quando finalmente conseguimos, as músicas começaram a cair do céu. Foi uma lição para nós aprender a ter a mente aberta e tirar as limitações.

COUP DE MAIN: Em “Fast In My Car” você canta: “Been through the ringer a couple times / I came out callous and cruel…” Como você lida com esses sentimentos com o fato de que você só tem 24 anos, continuar jovem – como você diz na música, você “só quer se divertir”.
Hayley: “Fast In My Car” foi um ótimos exercício para mim em termos de escrever a letra, porque eu sabia que nós três tínhamos um objetivo em mente – queríamos fazer um cd que fosse empolgante para nós e para os fãs. A gente simplesmente queria que fazer parte do Paramore fosse um alegria novamente, porque virou algo muito estressante por um tempo, estávamos perdendo membros da banda, amigos e foi muito difícil. Nós sabíamos que não tinha que terminar assim. Um pouco disso foi eu tentando lidar com a minha frustração, com a mídia e com as pessoas que sempre tentavam trazer à tona o velho drama e eu pensava: “Ouçam, nós estamos seguindo em frente! Vai ser divertido, quer gostem ou não!”. Essa música foi boa para mim porque me deixou confiante que dessa vez, iríamos nos divertir, não importa quem tente nos impedir. É legal porque quando tocamos ao vivo, é irado ver os fãs pulando e comemorando conosco o quão longe chegamos de três, dois anos atrás para onde estamos agora.

COUP DE MAIN: Vi um “tweet” recente seu no qual você agradeceu aos jornalista por perguntaram sobre as músicas ao invés dos cabelos das famosas. Se você pudesse mudar algo sobre a mídia em cima da música, o que seria?
Hayley: Simplesmente isso! Embora, acho que há dois lados. Quando sua banda chega a um certo nível onde… agora fazemos muitas coisas clichês também, o que é insano. É legal porque significa que há muito mais gente ouvindo sua música, mas quando vamos ao Teen Choice Awards ou a outras premiações, eles querem falar com a gente sobre a cultura pop, normalmente querem falar sobre coisas que são superficiais. Como: “O que você acha do novo estilo da Miley Cyrus?” e eu realmente não sei se tenho uma opinião que ou outros precisam ouvir. Não acho que cabe a nós opinar sobre esse tipo de coisa, é tão vazio. Eu gosto de falar sobre coisas sobre a banda. Gosto de falar sobre coisas que importam e sobre música. E nosso jeito de se conectar com as pessoas não é através de coisas estúpidas, superficiais, é através de algo mais profundo do que isso. Essa questão tem dois lados porque eu vejo valor no fato de que tem gente que só quer saber o que estamos fazendo, como banda… e isso é importante pois quanto mais pessoas ouvindo sua música, mais opiniões, mais atenção da mídica, mais entrevistas e afins. Acho que, no final do sia, não importa o que fazemos, não importa quão popular o evento ou seja lá o que for – Eu sei que na minha cabeça e no meu coração que o Paramore vem de um mundo que não se importa com nada disso. Não ligamos para o cabelo das famosas. (risos)

COUP DE MAIN: Mesmo cantando sobre sua experiência pessoal em “Grow Up”, acho que o verso “said I’m done with all of my fake friends” é algo que todo mundo se relaciona. É uma parte universal de crescer, para todos. Como você diferencia falsos amigos de amigos que você sabe que nunca te deixarão?
Hayley: Cara! Isso é parte de crescer – aprender as diferenças e aprender que as pessoas tem más intenções. E não é só porque eu, Taylor e Jeremy somos uma banda. Para mim, Paramore não foi o único obstáculo que me impediu de fazer amizades duradouras, as vezes as pessoas não se dão bem. Crescendo, tive que aceitar que não sou o tipo de pessoa que sai muito ou fica indo em festas e quando percebi, comecei a ver quantas pessoas não aceitavam isso. Foi estranho, foi esquisito. Foi como sentir aquela sensação de sair do colegial, mas é necessário que isso aconteça algumas vezes na sua vida. Conversei com meus pais e meus avós sobre isso e parece que quanto mais você cresce, mais a sua vida se resume a coisas que importam e você começa a entender quando realmente se importam com você ou quando você se importa com alguém. Acho que é uma via dupla, quando você começa a se entender – um processo que dura a vida inteira – quando você começa a compreender as coisas, é aí que você percebe quem é verdadeiro e quem não é. E quando você para de se importar com certas coisas, é então que os outros tem que decidir se eles se importam mesmo com você ou não.

COUP DE MAIN: É óbvio que a banda passou por um conflito nos últimos anos – você escolhe suas batalhas? Como decide pelo que vale a pena lutar?
Hayley: O bom é que agora, só com nós três, todos temos nossas fraquezas e forças e ajudamos uns aos outros. Somos forte um pelo outro. Demorou todo esse tempo, desde que Josh e Zac saíram da banda, até agora. Continuamos aprendendo as forças de cada um e como juntar elas em uma só para que nosso trabalho em grupo seja eficiente e tranquilo. Quanto às coisas que discordamos, acho que quando tem algo que nós três temos que opinar e nossas opiniões são diferente… Não sei se estou dizendo isso porque sou mais velha agora, mas nós conseguimos nos comunicar melhor, nós falamos o que estamos sentindo. Em um momento, é claro que você vai brigar com alguém, você sempre vai discordar ou discutir, mas tem que haver respeito e nós três nos respeitamos muito. Mesmo se é algo que cada um de nós tenha uma opinião completamente oposta, sempre chegamos a um consenso.

COUP DE MAIN: Eu simplesmente amo “(One Of Those) Crazy Girls”. Todos tem uma amiga que é a “crazy girl” ou passou por essa situação. Qual o melhor conselho para quem está num estado tão forte de negação?
Hayley: Quando escrevi essa música eu quis ser sarcástica – acho que os caras podem ser tão malucos quanto as mulheres. Acho que não faz parte do gênero, mas eu vivo cercada de homens o tempo todo então ouvi milhões de estórias de como num fim de relacionamento a garota fica simplesmente maluca. Quando era mais nova sempre achei que depois de um término eu não ficaria assim. Mas então você começa a perceber rapidamente que se isso acontecesse com você, provavelmente, você piraria também. Por isso escrevi essa música meio que fingindo ter passado por um término, me colocando no lugar de alguém que se machucou depois de descobrir que não era mais amado pela pessoa amada. Percebi que aquilo me machucaria também – eu ficaria completamente insana! – então acho que olhar alguém e pensar “nossa, você é maluca.” não sei… Acho que é bem óbvio que não acredito nesse estado de negação. Mas também acho que tem que ser honesto e saber que todos são capazes de enlouquecer. Até mesmo eu.

COUP DE MAIN: Para alguns artistas, tocar ao vivo é como encenar, como se você fosse um personagem. Você concorda?
Hayley: Não, não acho que seja encenação. Acho que escrevemos músicas verdadeiras sobre o que estamos passando. Ao mesmo tempo, quando tocamos ao vivo, é versão mais exagerada, energética de cada uma de nossas personalidades – quando estou em casa, não fico pulando por aí, gritando e tropeçando nas coisas – bem, provavelmente estarei tropeçando nas coisas, mas não estou cantando ou pulando ou usando látex. Somos pessoas diferentes quando estamos em casa, mas as pessoas que somos no palco é o que a plateia traz de dentro de nós. É como quando você sai com alguém que gosta de ir em festas o tempo todo e talvez, quando você está com essa pessoa, você fique mais louco e faça mais barulho, mas se você está tomando um café com um amigo, você pode ser uma versão completamente diferente de você mesmo, talvez mais introspectiva, alguém que gosta de conversar profundas. Pessoas diferentes trazem lados diferentes e com certeza nossos fãs trazem o lado mais ridículo de nós à tona porque ficamos muito animados de vê-los quando estamos no palco.

Tradução: Lívia Rocha