01
set
Huffington Post entrevista Hayley Williams

Huffington

Hayley deu entrevista ao Huffington Post na qual falou sobre o novo álbum, Parahoy e novos artistas. Confira a tradução:

O Paramore está prestes a deixar os EUA para tocar, por quase um mês, uma série de shows na Europa e Reino Unido mas antes disso, a banda está muito ocupada divulgando seu novo álbum aqui mesmo nos Estados Unidos com a “Self-Titled Tour”. Recentemente, Hayley Williams conversou brevemente com Huffington Post sobre o novo álbum, ParaHoy e o super aguardado show no Madison Square Garden.

Mike Ragogna: Hayley, o que inspirou o processo de escrita nesse novo álbum?
Hayley: O principal, que acho que é o diferente e o que ajudou a nos dar combustível, foi o sentimento de estar lutando contra o aparente fim da nossa banda. Foi como se fosse o fim de uma era, mas também muitos estavam se perguntando se iríamos desaparecer, então estávamos lutando contra isso. Não externamente, mas internamente, nós três sempre soubemos que manteríamos a banda viva. Tivemos nossas dúvidas no começo do processo. Deixou a gente meio que esgotado e com pouca confiança no começo, mas também serviu de combustível e talvez tenha sido exatamente o que precisávamos. Nunca tivemos um álbum assim porque não tínhamos passado por coisas desses tipo antes, como banda.

Mike Ragogna: Para mim, “Grow Up” serviu como um testamento para isso.
Hayley: Um pouco. Nem todas as músicas são sobre ter perdido dois membros da banda e passar por todo aquele drama, elas são todas pedaços das nossas vidas cotidianas. Não é uma autobiografia do Paramore. Acho que já fizemos isso com nosso álbum anterior “Brand New Eyes”. Tínhamos em mente que não queríamos recriar um “Brand New Eyes Parte 2″. Esse cd foi mais focado em crescer, seguir em frente, superar toda a energia negativa. Mas ao mesmo tempo, não ignora ou nega as coisas pelas quais passamos. Acho que tudo aquilo criou uma forma de eu me enxergar e enxergar o mundo e em algum momento da minha vida, essas coisas vão vir à tona, mesmo se eu quisesse me gabar ou mentir sobre elas.

Mike Ragogna: Vocês encerram o álbum com a música “Future”, é no sentido de “o que passou, passou, o futuro é o futuro”?
Hayley: Conversamos sobre começar o cd com essa música, mas aí chegamos a conclusão de que não fazia sentido, é uma canção muito melancólica e muito longa, quase 11 minutos. Foi assim que me senti durante o processo; eu não queria falar sobre o passado. De novo, eu não conseguia seguir em frente sem direcionar algumas coisas que aconteceram na minha vida, no passado, com a banda. Foi necessário reconhecer tudo que eu tinha passado, mas então, ao mesmo tempo, dizer às pessoas, principalmente nossos fãs e nós mesmo, que era hora para algo novo.

Mike Ragogna: O álbum começa com “Fast In My Car”, um verdadeiro hino. Essa música passa a mensagem e me parece que é sobre sobrevivência;
Hayley: É, chegou um momento em que decidimos que tínhamos cansado do drama e que era hora de seguir em frente em busca de coisas maiores e melhores. Mas as pessoas, mesmo alguns fãs e a mídia, não nos deixavam fazer isso. Não somos do tipo amargo que não fala sobre esse tipo de coisa, já é uma maravilha que queiram falar com uma banda como nós; Acho que é algo incrível mas é, também, cansativo. Você tenta dizer para todos “nós realmente estamos bem”, “está tudo bem”, “estamos fazendo música e estamos muito felizes”. Algumas pessoas não conseguem ver o lado positivo; algumas são atraídas pelo drama e pela negatividade e tudo mais. Essa música é nosso hino e nosso jeito de se libertar da frustração e de dizer para nossos fãs que só queremos voltar a nos divertir com a música que estamos fazendo. E essa é outra razão pela qual eu me referi à “Riot!” no refrão, porque teve um momento, quando estávamos escrevendo o “Riot!” e quando começamos a turnê desse álbum, em que éramos ingênuos e estávamos nos divertindo tanto que não prevíamos o que ia acontecer. Não sabíamos que iríamos cansar e que ia ter todo um drama depois. Nós simplesmente saímos com toda a energia; estávamos muito animados de estar numa banda. Agora, estamos sentindo isso novamente e isso é um fato engraçado sobre a referência durante o refrão. Sentimos isso e toda a emoção novamente.

Mike Ragogna: Parace que com esse álbum, vocês não estão simplesmente redefinindo um novo som, mas também uma nova missão.
Hayley: Sim, com certeza, e é por isso que demos ao cd o nome de Paramore. Auto-intitulamos ele porque sentimos que esse álbum tinha que ser uma afirmação. O tempo que ficamos longe foi tanto para nós, pessoalmente, quanto para a banda e essa jornada musical pela qual estávamos passando. Era necessário se afastar, era preciso tirar um tempo e viver a “vida real” em casa e aproveitar isso por um minuto. Foi ótimo, foi realmente refrescante. Descobri muito rapidamente o quanto eu sou apaixonada pelo Paramore. Por um tempo, minha visão estava meio embaçada. Nós todos meio que sentamos e pensamos o que iríamos fazer, o que estava acontecendo, por que estava todo mundo mal? E tirar esse tempo nos permitiu um novo foco e a descobrir o porque amamos isso e o que amamos uns nos outros. Agora somos melhores amigos. Tomara que dê pra perceber nas músicas. Mas acho que isso é extremamente óbvio quando você compara nossos vídeos dos shows de 2009, onde estávamos deprimidos, com os shows de agora. Hoje somos uma banda completamente diferente no palco.

Mike Ragogna: Você tiveram muitas músicas em jogos de vídeo game, tem mais disso por vir?
Hayley: Não em vídeo games, que eu saiba. Amamos esse tipo de coisa então, esperançosamente, faremos mais disso, mas é claro que já estamos escrevendo novas músicas e nos divertindo com o que ainda temos. Basicamente, estamos com a mente aberta. Tudo que vier em nossa direção e que gostarmos, nós faremos.

Mike Ragogna: Incluindo o “Parahoy”?
Hayley: Sim, estamos muito animados. É maluco.

Mike Ragogna: É a primeira vez que vocês fazem um cruzeiro?
Hayley: Sim. Não sei bem o que esperar. Mas estou animada por fazer algo diferente e por estar rodeada por amigos, fãs e pessoas que querem se divertir. Para mim, é algo que bandas mais antigas que nós fazem. Estou realmente emocionada de poder fazer isso mais cedo do que essas outras bandas. Quem sabe como vai ser? Mas se for bom, podemos fazer outro.

Mike Ragogna: Que conselho você quer dar a novos artistas?
Hayley: Ai meu Deus. Para mim, mesmo agora, mas mais no passado, eu me estressava muito por coisas pequenas. Sou muito envolvida em toda mídia e diferentes divulgações que fazemos. Fico muito animada com esse tipo de coisa; esse é meu lado meio “nerd”. Na verdade, gosto de marketing mesmo estando numa banda e sendo uma artista, mas às vezes esses dois mundos não se dão muito bem, mas eu realmente curto isso. Às vezes, eu fico obcecada com tudo isso e realmente tenho que me lembrar, e isso é outra razão pela qual ter tirado um tempo foi bom, para aproveitar ao máximo tudo que estou fazendo. Aproveite a música, aproveite os passeios, fazer shows para qualquer um que queira te ouvir tocar, seja para 20, seja para 2000 pessoas ou mais. Eu acho que, se tem algo que nós três aprendemos nos últimos anos é que a única coisa que importa no final do dia é o que você faz e o por quê você faz. A música que fazemos, somos completamente apaixonados por elas e sabemos que, mais uma vez, é o nosso foco. A divulgação, as boas oportunidades e todas essas coisas legais, elas vão e voltam. Um dia, vão ter milhões de pessoas batendo na sua porta e no dia seguinte, nenhum deles vai admitir que sabe quem você. Vai ser assim o tempo todo. Eu meio que converso comigo mesma, porque acho que é fácil se perder em meio a essa mídia. Você tem que sempre lembrar que isso não é importante, não é isso que importa.

Mike Ragogna: Se você pudesse falar com sua versão mais jovem, que conselho daria a ela?
Hayley: Você está no caminho certo e mantenha suas armas. É um mundo selvagem lá fora. Muitas opiniões, muita mídia dando importância a qualquer um e cada canto da rua. Você realmente manteve seus valores, opiniões e escutou seu coração, continue assim. Você tem que ter a mente aberta, mas há uma linha tênue quando se trata da indústria artística. Você tem que saber o que realmente o que quer e o por quê. Eu diria a ela “mantenha suas armas, vocês está se saindo bem.”.

Mike Ragogna: Está animada para tocar no Madison Square Garden?
Hayley: Sim, estou apavorada, ainda não tenho palavras. Realmente não sei. Não acho que consegui processar meus pensamentos e emoções sobre o assunto. Estou muito empolgada. Mal posso esperar para ver nossos fãs naquele lugar. Nosso show e a energia que há entre nós e as pessoas que vão ao show é muito forte. Eles merecem ir a um show do Paramore no Madison Square Garden, estou animada.

Tradução: Lívia Rocha